Um pouco do que já vi ou li sobre cinema, by Walter Pavam

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26.2.09
EM BUSCA DE UM SONHO
Correr atrás de um sonho sempre vale a pena. O caminho pode ser duro e longo. A Telona também pode mostrar que ao longo dos anos não mudou muito a eterna e tradicional Guerra dos Sexos...
>> DREAMGIRLS, EM BUSCA DE UM SONHO (DreamGirls, 2006), dirigido por Bill Condon
- Um grupo de cantoras de Detroit tinha que usar perucas baratas e vestidos caseiros para se apresentar. Como sempre na vida, é muito duro conquistar alguma coisa, mas elas foram em frente e atrás de seus sonhos.
- Você é casado, Jimmy? – perguntou Anika Noni Rose.
- Todo mundo sabe que Jimmy Early é casado – respondeu Eddie Murphy.
- Então tire suas mãos casadas de cima de mim!
>> ABAIXO O AMOR (Down With Love, 2003), dirigido por Peyton Reed
- Renné Zellweger, apesar de sua personagem se chamar Novak, faz muito mais o estilo virginal de Doris Day. Aliás, o filme, em estilo comédia-dramática, é claramente inspirado nas comédias da dupla Rock Hudson-Doris Day, mas com um figurino sofisticado e uma genial cena de insinuação de sexo entre as personagens, um pouquinho só mais picante do que os anos 60 permitiam. E o mote, como sempre, é a sempre atual guerra dos sexos.
- Seu rosto me é familiar, Srta... Srta... – disse Ewan MacGregor.
- Novak – completou Renée Zellweger.
- Isto mesmo, Kim Novak!
- Não, é Barbara Novak.
- Puxa, então acho que não a conheço - completou MacGregor, com ar de desprezo.
>> VOLTA, MEU AMOR (Down Lover Come Back, 1961), dirigido por Delbert Mann
- Um dos famosos filmes da dupla Rock Hudson-Doris Day, dos anos 60. Aqui, ele é um descarado gerente de uma agência de publicidade, capaz de qualquer coisa para conquistar o cliente. Ela, fazendo jus à sua virginal reputação, só quer andar por cima dos trilhos, até que eles se cruzam e a coisa desanda...
- Eu não uso o sexo para conquistar meus clientes – disse Doris Day.
- Meus sinceros pêsames ao seu marido – respondeu Rock Hudson.
- Eu não sou casada.
- Eu bem que desconfiei...
publicado por Walter
29.11.08
O GALÃ QUE FICOU EM SEGUNDO MAS TINHA PINTA DE CAMPEÃO
Ele era inglês, e seu nome real era Archibald Alexander Leach. Acho que com isto ninguém saberia de quem se trata. Ele nunca ganhou um Oscar de melhor ator, apenas um honorário, uma espécie de prêmio de consolação que os caras dão quando percebem que erraram durante anos. Ian Fleming o queria para interpretar James Bond no cinema, mas ele recusou. Hoje, 29 de novembro, há exatos 22 anos, morria Cary Grant, de uma hemorragia cerebral, aos 82 anos. Ele se preparava para atuar em seu programa de teatro com perguntas e respostas sobre a sua carreira.
O American Film Institute o considerou o segundo maior ator de todos os tempos, atrás apenas de Humphrey Bogart. Acho que os dois foram mesmo ótimos, mas o Bogart fazia mais o gênero durão, enquanto o Grant era o bon vivant. Sua presença foi sempre marcante em cena (tente reparar), sua carreira foi longa, com mais de setenta filmes. Fez parcerias memoráveis, como em Nunca Fui Santa (I am no Angel, 1933, dirigido por Wesley Ruggles), com Mae West, ou Levada da Breca (Bringing up Baby, 1938, dirigido por Howard Hawks), com Katherine Hepburn. E muitos outros que vocês certamente se lembrarão. Eu, como de costume, vou atrás de frases dele nos filmes do Mestre...
>> SUSPEITA (Suspicion, 1941), dirigido por Alfred Hitchcock
- O Mestre declarou sobre este filme que foi um erro escolher um super-astro de Hollywood para o papel. Os estúdios o pressionaram a mudar o final que tinha em mente, mas mesmo assim o filme é ótimo. O tempo inteiro paira a suspeita sobre as suas intenções. Joan Fontaine esteve ótima e levou o Oscar de melhor atriz.
- Posso parecer provinciana, mas não entendo homens como você - disse Joan Fontaine, a Lina. - Sinto que está sempre zombando de mim.
- Não é verdade, dou-lhe minha palavra - disse Cary Grant, o Johnnie. - Mas seu cabelo está mesmo horrível... por um instante, tornei-me um cabeleireiro apaixonado.
>> INTERLÚDIO (Notorious, 1946), dirigido por Alfred Hitchcock
- No período pós-guerra, nada como uma aventura nos mares do sul, em pleno Rio de Janeiro, em seus áureos tempos de capital federal. Palco ideal para atividades nem um pouco pacíficas, serve também para lembrar os dias de glória da Cidade Maravilhosa.
- Meu departamento me encarregou de lhe dar um trabalho - disse Cary Grant, o Sr. Devlin. - Uma missão no Brasil.
- Vá embora - disse Ingrid Bergman, a Alicia. - Tudo isto me chateia.
- Achamos que os alemães estão operando no Rio. Estamos ajudando o governo do Brasil a se livrar deles. É possível que confiem em você por lá.
>> LADRÃO DE CASACA (To Catch a Thief, 1955), dirigido por Alfred Hitchcock
- Os deliciosos passeios de carro pelas curvas da Riviera Francesa valeram o Oscar de melhor fotografia para este filme. Ironicamente onde Grace Kelly iria morrer, anos mais tarde. Aqui novamente paira uma dúvida sobre Grant: um ex-ladrão aposentado pode virar um cidadão honesto?
- Passei o dia esperando que falasse sobre o beijo que te dei - comentou Grace Kelly, a Frances.
- No Oregon, você seria chamada de uma garota muito obstinada - disse Cary Grant, o John Robie.
- Em que lugar do Oregon você nasceu?
- Eu que pergunto, onde você nasceu? - quis saber o John.
- Eu? Em um táxi, a caminho do hospital. Mas já morei em 27 cidades diferentes.
- Por quê? Do que está fugindo?
- Dos rapazes.
- Então agora você pode parar de fugir...
(veja o trailer do filme no vídeo do Youtube, ao lado)
>> INTRIGA INTERNACIONAL(North by Northwest, 1959), dirigido por Alfred Hitchcock
- A infeliz sorte de Cary Grant, ao ser confundido com um agente do governo por espiões estrangeiros e sua fuga percorrendo boa parte dos Estados Unidos. Há aqui a antológica cena de Grant correndo nos campos e sendo perseguido por um avião.
- Quero saber o quanto sabe sobre nossos preparativos e como conseguiu esta informação - perguntou James Mason, o Philip Vandamm. - Mas não será de graça.
- Claro - concordou Cary Grant, o Sr. Thornhill.
- Não espero que concorde, mas o mínimo que posso lhe oferecer é a oportunidade de sobreviver.
- O que diabos isto quer dizer? - perguntou o Sr. Thornhill, espantado.
- Por que não facilita as coisas e diz simplesmente "sim"?
publicado por Walter
4.11.08
A MARCA DE UM HERÓI E ÍDOLO DAS MATINÊS
Os anos passam, novos galãs aparecem, e naturalmente os antigos são esquecidos. Será que alguém das novas gerações ouviu falar de Tyrone Power? Hoje, 15 de novembro, há exatos 50 anos, ele morria em Madrid, repentinamente, durante as filmagens da vida do Rei Salomão. Estava duelando com o parceiro de cena e amigo George Sanders, e teve um ataque fulminante do coração, com apenas 44 anos. Acho que isto tornou sua morte especial: ele morreu relativamente jovem, trabalhando e fazendo aquilo que gostava de fazer (algo parecido com o que aconteceu com o Ayrton Senna). Seu velório na Califórnia durou 6 dias, para que todos os seus fãs pudessem se despedir dele.
Deixo aqui minha pequena reverência, inclinando a cabeça e estendendo o chapéu, como faria o Zorro, um de seus grandes sucessos, e mostrando frases de alguns de seus filmes.
>> A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro, 1940), dirigido por Ruben Mamoulian
- Ótima refilmagem de um clássico capa-e-espada do cinema mudo (de 1920, com Douglas Fairbanks), baseado na obra de Johnston McCulley, A Maldição de Capistrano. Nem o McCulley imaginava que sua personagem iria fazer tanto sucesso. Nesta versão há a memorável cena da vela e do duelo de Tyrone Power com Basil Rathbone (que fez muito sucesso interpretando Sherlock Holmes).
- Eu estava pedindo à Santa Maria que me salvasse de ir para o convento - murmurou Linda Darnell, a Lolita Quintero. - Padre, o senhor acha que isto é um pecado?
- O pecado seria deixar você ir para um convento - respondeu Tyrone Power, o Zorro, mas disfarçado de padre.
- Eu... eu não entendo.
- Bem, uma moça jovem... quer dizer, talvez você fosse mais útil fora de um convento...
>> SANGUE E AREIA (Blood and Sand, 1941), dirigido por Rouben Mamoulian
- Uma refilmagem de outro sucesso do cinema mudo, de 1922, com Rodolfo Valentino. Estrelado, nesta versão de 1941, também por Rita Hayworth, dona de um sorriso encantador, mas no papel de uma autêntica femme fatale. O filme levou o Oscar de melhor fotografia.
- Não existe ainda a vaca que vai gerar o touro que conseguirá me ferir! – gritou Tyrone Power, o toureiro Juan Gallardo.
>> TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO (Witness For The Prosecution, 1957), dirigido por Billy Wilder
- Tai um filme que teve enorme sucesso, foi indicado em 6 categorias do Oscar, mas não levou nenhuma. Lembro que meu pai passou a respeitar mais o meu hábito de ler Agatha Christie depois que lhe falei que ela havia escrito a história original do filme, uma peça homônima. Como sempre nas histórias da Rainha do Crime, o final é surpreendente.
- Nós só vamos pedir como honorários uma parte das 80 mil libras do Sr. Vole – disse John Williams, o advogado Brogan-Moore.
- Que 80 mil libras? – quis saber Tyrone Power, o Sr. Vole.
- Aquelas que a Sra. French deixou para você. Abriram hoje o cofre dela e acharam o seu testamento.
- Parabéns – disse Charles Laughton, o outro advogado, Sir Wilfrid Robarts, com um sorriso nos lábios.
- Esta herança não melhora as coisas para mim, melhora?
- Não, acho que não – respondeu Sir Wilfrid Robarts.
publicado por Walter
11.10.08
MANIA DE TREK
O Grande Nelson, figura notável, sempre se destacou porque sabe quase tudo sobre quase tudo. E, claro, foi sempre um declarado (e refinado) trekmaníaco. Ele sabe de cor todos os episódios. Aqui, vão só dois exemplos da telona. Se algo estiver errado, o Big Nelson certamente apontará. Fascinante...
>> JORNADA NAS ESTRELAS II – A IRA DE KHAN (Star Trek: The Wrath of Khan, 1982), dirigido por Nicholas Meyer.
- O Nelsão sabe bem que o hoje famoso seriado da TV nos anos 60 não fazia sucesso de público, no início. A NBC ameaçou tirá-lo do ar, reduziu as verbas, mudou o horário de exibição. A ótima qualidade da série fez com que ela sobrevivesse, tivesse boas continuações e virasse também uma série de filmes para a telona. Antes de enfrentar a ira de Khan, interpretado por Ricardo Montalban, o Sr. Spock, como de costume, tem sempre uma resposta na ponta da língua...
- Como os seus cadetes reagiriam se tivessem que trabalhar sob pressão, Spock? – perguntou William Shatner, o Almirante Kirk.
- Como qualquer ser humano faria – respondeu Leonard Nimoy, o Sr. Spock. - De acordo com os seus dons.

>> JORNADA NAS ESTRELAS IV – A VOLTA PARA CASA (Star Trek: The Voyage Home, 1986), dirigido por Leonard Nimoy.
- O circunspecto Sr. Spock é certamente uma das mais notáveis personagens das histórias científicas. No episódio em que eles voltam à Terra, ele fica absolutamente perplexo, ao final de uma sabatina que o computador lhe faz.
- Como você se sente? – perguntou o computador.
Pausa. O Sr. Spock levanta a sobrancelha e olha intrigado para a tela da máquina.
- Como você se sente? – insistiu o computador.
- Eu... eu não entendo a pergunta.
- O que é? – quis saber a sua mãe.
- Eu não entendo. A pergunta é irrelevante – respondeu o Sr. Spock.
- Você recebeu um treinamento vulcano, mas é meio humano, e o computador sabe disto. Como é meu filho, apesar de não compreender os sentimentos, você os tem.
publicado por Walter
12.9.08
UM RATINHO NA COZINHA
>> RATATOUILLE (Ratatouille, 2007), dirigido por Brad Bird.
- Emil, o ratinho-cozinheiro, estava conversando com seu pai em frente a uma loja de pesticidas (o pai tinha acabado de descobrir que ele era amigo de um humano e levava Emil para ver como os humanos tratavam os ratos). Esta foi uma sugestão e frase escolhida pela Denise Ferrari e por seu filho André. Muito obrigado pela valiosa colaboração!
- O mundo em que vivemos pertence ao inimigo - disse o Pai de Emil, o ratinho-cozinheiro. - Temos que viver com cuidado. Zelamos pelo bem-estar da nossa espécie, Emil, porque no fim das contas, não temos mais ninguém.
- Não, Pai - discordou Emil -, não dá pra acreditar... tá dizendo que o futuro é... só pode ser...essa matança?
- É assim que as coisas funcionam... não se pode mudar a Natureza! (pausa)
- A Natureza tá sempre em mudança, Pai. E essa responsabilidade tem que ser nossa. A começar pelas nossas próprias atitudes!
- Aonde você vai? - quis saber o Pai.
- Se eu der sorte... em frente!
publicado por Walter
29.8.08
QUANDO FALA O CORAÇÃO
Todo mundo vai lembrar de Ingrid Bergman por sua participação em Casablanca, ou talvez em Por Quem Os Sinos Dobram, ou ainda no final de sua carreira por Assassinato no Expresso do Oriente, quando levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Acho que, como de costume, a Academia quis se redimir de injustiças anteriores. Hoje, 29 de agosto, ela faria 93 anos.
Mas eu, claro, prefiro falar dela por suas atuações nos filmes do Hitchcock...
- Quando Fala o Coração (Spellbound, 1945) - seu primeiro filme com o Mestre, ao lado de Gregory Peck, teve uma seqüência criada por Salvador Dali. O filme foi indicado para várias premiações, e levou o Oscar de melhor trilha sonora;
- Interlúdio (Notorious, 1946) - junto com Cary Grant, o filme foi parcialmente rodado no Rio de Janeiro (quando o Rio era famoso no mundo inteiro, mas não pela violência... será que um dia aqueles velhos tempos de glamour voltarão?);
- Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn, 1949) - com Joseph Cotten, na minha opiniãio uma atuação digna de um Oscar, que ela não levou. Aliás ouvi um comentário dela que, se era para levar um Oscar por um discurso em um filme (no caso de Assassinato no Expresso do Oriente), ela já merecia um desde esta atuação.
publicado por Walter
22.8.08
8.8.08
NOS TEMPOS DO IDEAL OLÍMPICO - O FILME
Tudo muda, eu sei. Já ouvi um ex-colega de trabalho dizer que o que vive de passado é museu (graças a Deus eles existem aos montes!). Mas não dá para negar que o espírito olímpico já não é mais o mesmo. A começar pelos esportes bem profissionais, como o nosso futebol. Que clube está interessado em ceder jogadores para os Jogos Olímpicos com tantas competições importantes e rentáveis por vir?
A indicação óbvia para o tema Jogos Olímpicos é Carruagens de Fogo (Chariots of Fire, 1981, dirigido por Hugh Hudson). O ano é 1924, a cidade é Paris. Duas personagens, um corredor judeu que corre para ajudar a combater o Anti-Semitismo, e um missionário escocês que corre pela glória do Senhor. O filme é bom, e ganhou 4 Oscar: melhor filme, melhor música (conhecidíssima, de Vangelis), melhor figurino e melhor roteiro.
publicado por Walter
1.8.08
21.7.08
QUANDO TUDO COMEÇOU POR AQUI
Os irmãos Lumiére realizaram a primeira exibição pública de cinema em 1895, em Paris. Por aqui, a história começou em 1898, quando o italiano Affonso Segreto filmou a baía de Guanabara, a bordo do navio Brésil, com uma filmadora que acabara de comprar em Paris. Os jornais do Rio noticiaram amplamente a novidade.
No nosso tranqüilo ritmo do início do século passado, somente em 1908 apareceu a primeira fita brasileira que se podia dizer que tinha um enredo: Nhô Anastácio Chegou de Viagem. Foi filmada por Julio Ferrez e interpretada por José Gonçalves Leonardo, tinha 15 minutos de duração e contava as aventuras de um matuto que passeava no Rio. Daí por diante, explodiram as produções de metragem curta, com artistas na maioria das vezes recrutados do teatro. Estes filmes eram exibidos em cinemas permanentes, teatros e até mesmo em circos.
Foi assim que tudo começou por aqui. Lá se vão 100 anos...
publicado por Walter
16.7.08
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